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CEGOS PELA PROIBIÇÃO

Podemos deixar que nos cegue a proibição?

Embora a história de Adão e Eva seja particularmente conhecida pela eloquência do que não deviam fazer, o que me chama atenção é justamente o contrário: a extensão da liberdade que haviam.

Podiam fazer xixi de porta aberta, comerem manga com leite, dar nome às criaturas e coisas, fazer esculturas na areia, brincar com leões e rinocerontes e no fim da tarde, ainda tomar um cappucio com o Papai!

Podiam cuidar do jardim sob o sol da manhã, cantar na chuva à tarde, dar nome às estrelas na noite e amar sobre a relva em todos os intervalos.

Todas as florestas eram virgens, todos os oceanos inexplorados e mesmo os picos mais baixos aguardavam serem escalados. Adão, podia tocar violão para Eva ao “sol da meia noite” sobre testemunhas da floresta.

Por isso, sermos seduzidos apenas pela história da proibição é cair no mesmo engano deles: não valorizar a liberdade que nos é dada e conquistada! Pois nessa história o ser humano goza de uma “invejável” liberdade! O embaraço se dá, no desfrute dela; ou melhor, no não desfrute…

Hoje, quero simplesmente vos alertar, que a narrativa de Gênesis não é uma simples parábola sobre os perigos da tentação, mas uma história sobre a possibilidade de um “mau” gerenciamento da abundância. Por serem livres, se fizeram escravos…

Assim, não consigo deixar de pensar neste casal (Adão e Eva) sem me lembrar de Bandolins, de Oswaldo Montenegro: ” como fosse um par que nessa valsa triste se desenvolvesse ao som dos bandolins e como não e porque não dizer que o mundo respirava mais se ela apertava assim. Seu colo como se não fosse um tempo em que já fosse impróprio se dançar assim. Ela teimou e enfrentou o mundo, se rodopiando ao som dos bandolins…”

2020-05-07T09:38:38-03:00Por |

Sobre o Autor:

Wellington Miranda é Psicólogo Clínico e Psicanalista. Pós-graduado em Violência Sexual pela USP/SP e Perito em Psicologia do Trânsito, atua nas cidades de Nova Odessa e Piracicaba, SP. Oferece atendimento clínico psicanalítico para jovens e adultos, bem como, ministrações de palestras e seminários em instituições religiosas e educacionais no Brasil e exterior.