Sempre tive dificuldades em separar-me das pessoas. Principalmente as que amo; as que comigo, fizeram história.

Prefiro ser abandonado a ter que abandonar. Ser deixado a ter que deixar. Assim foi até com meus pacientes…

Mas agora ressurge um antigo desejo, uma nova história. Talvez, não com os personagens um dia pensado ou desejado, mas como cantava Guilherme Arantes: “… infelizmente nem tudo é, exatamente como a gente quer…”

Perdeu-se a magia? Os sonhos não envelhecem!

A ruptura com minha terra natal, com meu país, com minha cidade, com meus contatos, têm gerado os mais diversos e inexpressíveis sentimentos.

A despedida, finjo não existir. Abomino! Prefiro algumas expressões: “Arrivederci”, “a presto” ou mesmo “a domani”!

Há tempos tive uma tendência enorme em olhar somente para o que se perdia. Nisso, meus olhos se perderam e com ele, parte de uma linda paisagem… De uma linda caminhada…

Entendi o que é começar do zero! Sim, do zero! Pois pude ver que uma vida inteira pode se resumir em duas malas de 32 kg! Os bens adquiridos ficam por aqui. Isso me faz refletir sobre a morte, como somos pó! Daqui, nada levaremos! No entanto, ainda tem gente se matando para conseguir acumular dinheiro. Pais se ausentando dos filhos para ganharem mais e mais! Perdendo cada etapa, cada momento do crescimento de uma criança. Políticos se beneficiando do dinheiro ilícito…

A cada roupa guardada, a cada passagem comprada, a cada móvel desmontado, uma parte se esvazia e se obriga a preencher com outros valores!

Mas não digo isso por tristeza ou dúvida. Digo isso para revermos nossos conceitos, cultivarmos as poucas amizades que nos restam, sorrisos e esperanças. Do mais, tudo ficará!

Sua fortuna, seu carro, sua mulher, seu marido, seu filho, seus reais, suas casas, seus terrenos, seus euros, seu status! Até mesmo sua tristeza, doença e desprazer! E serás lembrado pelo que? Como será recordada a sua história? Se é que você fez…

Ora ora. Para que vivemos (pelo menos nós cristãos) se não para: soltar as correntes da injustiça, desatar as cordas do jugo, pôr em liberdade os oprimidos. Não vivemos para partilhar a comida com o faminto? Abrigar o pobre desamparado? Vestir o nu que encontrou e não recusar ajuda ao próximo?

Não foi isso que Jesus nos disse: “… não andeis ansiosos pelo que há de vestir e comer…”

Se compreendido isso, a luz despontará nas trevas e a noite será como meio-dia!

A despedida será comemorada como uma valsa ao som dos bandolins e o percurso, uma história a se cumprir, um prazer a ser explorado…

A poesia se tornará mais bela e sensível. O reencontro, um marco sem igual.

E quanto a ti? Tem se permitido às novas aventuras? Novos sonhos e novas mudanças? Ou tem sido acorrentado pelo medo? Pelos sonhos frustrados que não se cumpriram?

Pense nisso…

E conte comigo…

Que Deus lhe abençoe…………………. e não parta de nossa presença!